Pokopia: Pequena no tamanho mas será grande no resultado?
- Izzy

- 20 de mar.
- 5 min de leitura

A marca Pokémon nasceu em 1996 no Japão, criada por Satoshi Tajiri e desenvolvida pela Game Freak em parceria com a Nintendo, tendo a série começado com os jogos Pokémon Red e Pokémon Green para a Game Boy, onde os jogadores capturam, treinam e trocam aquelas criaturas que todos nós adoramos hoje em dia: os Pokémon. O enorme sucesso levou à criação de um império multimédia que inclui videojogos, anime, cartas colecionáveis, filmes e merchandising, tornando esta marca numa das franquias de entretenimento mais lucrativas e influentes do mundo.
E finalmente, Pokémon trouxe-nos Pokopia: um jogo cozy.
Nos últimos anos, este género de jogos tem crescido em popularidade graças a títulos como Animal Crossing: New Horizons, Stardew Valley e Spiritfarer, que oferecem uma experiência de jogo mais casual, transportando frequentemente o jogador para mundos mais calmos e contemplativos. Após períodos de maior stress global, como a pandemia de COVID-19, aumentou a procura por ambientes reconfortantes e seguros, o que também impulsionou a criação de ainda mais experiências deste género. Muitos jogadores, procurando algo menos competitivo mas ainda assim envolvente, deram por si a criar uma quinta, a restaurar uma cidade em ruínas ou, em Pokopia, a reconstruir um mundo onde os humanos estão desaparecidos.
Mas afinal, o que é Pokopia?
Começando por criar o nosso Ditto, que por falta de memória de tudo para além do seu amigo e companheiro treinador, adota a sua forma, Pokopia traz-nos um mundo em que temos de compreender o porquê da falta de vida à nossa volta... Com a exceção de um único Pokémon, um Tangrowth que também pensava estar sozinho neste mundo. A nossa súbita chegada dá origem a uma nova missão, guiada por este “Professor Tangrowth”: descobrir o paradeiro dos humanos e trazer vida de volta a este mundo esquecido.
A nossa capacidade de replicar técnicas que nos sejam ensinadas abre caminho à criação de habitats ideais para diferentes Pokémon, incentivando o seu regresso e contribuindo para a revitalização deste mundo outrora abandonado.

Munidos de “ataques” de Pokémon que vão aparecendo conforme este mundo retorna ao que antes era, a nossa missão principal neste jogo cozy é explorar, criar espaços apelativos e seguros para Pokémon e compreender o desaparecimento de toda a humanidade.
Ao longo deste jogo poderás encontrar referências variadas a 30 anos de uma longa franquia, em que mesmo o mais recente fã de Pokémon vai sentir um aperto de nostalgia.
Cultivar Vida, Um Habitat de Cada Vez
As mecânicas do jogo são fáceis de compreender, mesmo para quem não é um jogador assíduo: ao combinar diferentes elementos — como quatro áreas de relva alta, ou duas áreas de relva com uma árvore de fruto e uma rocha — conseguimos criar habitats distintos que atraem Pokémon específicos, de acordo com as suas preferências.
Inicialmente não temos conhecimento destes “puzzles”, sendo necessário encontrar pistas que nos revelem como dar vida a cada habitat e, com isso, atrair uma população crescente para o nosso mundo. Após descobrirmos as combinações necessárias — e com tudo registado na nossa Pokédex (que, sim, continua funcional!) — podemos criar estes espaços livremente.

À medida que desenvolvemos ambientes mais acolhedores e apelativos, começamos a receber visitantes — na maioria permanentes — que nos concedem novas técnicas, facilitando ainda mais a exploração e construção.
Se um Squirtle te consegue ensinar a produzir água, consegues fazer nascer e regar plantas, relva e árvores. Já o Scyther ensina-nos técnicas mais agressivas, capazes de cortar vegetação densa. Outros são capazes de nos partilhar conhecimento sobre como destruir terreno para podermos abrir caminho e encontrar áreas perdidas ou mesmo como rebolar no chão com potência suficiente para esse mesmo efeito.

Nem tudo é dado de mão beijada, no entanto, e temos de completar certas missões para ter acesso a estas habilidades, sendo que em momento algum Pokopia nos faz sentir como se o progresso abrandasse demasiado. O conteúdo é imenso e, para alguém (no meu caso) que já vem de jogos como Animal Crossing: New Horizons, o ritmo de progresso não difere muito disso mesmo, mantendo-se familiar e agradável.
Um Mundo que Convida a Ficar
Embora inevitavelmente comparado a títulos como Animal Crossing, Pokopia consegue afirmar-se com uma identidade visual própria, distinguindo-se pela sua abordagem e estilo únicos. O lado cozy está lá, mas visualmente é algo mais simplificado, com formas simples e reconhecíveis, igualmente colorido e com personalidade, que traz um pouco de nostalgia ao que é inovador para o franchise. As mecânicas são fáceis de entender, os objetivos claros e explícitos, não trazendo fadiga de processos que requeiram leitura múltiplas vezes para compreender o próximo passo.

A banda sonora acompanha o ritmo calmo da experiência, trazendo trilhas famosas da franquia que nos acompanham ao longo da nossa exploração, com o ambiente sonoro a ajudar a manter a sensação de uma atmosfera calma e digna de um jogo cozy.
Alguns Obstáculos pelo Caminho
Sendo fã do género de jogo, não tenho muito a nível de gameplay para comentar como sendo um ponto negativo, contudo devo mencionar os longos tempos de loading entre zonas, considerando que a consola Nintendo Switch 2, sendo relativamente recente e o jogo feito para esta mesma, deveriam andar de mãos dadas como sendo o par perfeito sem este problema.
Um outro ponto negativo que devo mencionar são os elementos repetitivos em missões principais: apesar da variedade no que podemos fazer neste mundo, algumas das tarefas que nos competem são exatamente iguais... apenas numa zona diferente do mapa.
Mais do que um Simples Cozy
Tendo tido a oportunidade de regressar recentemente a Animal Crossing: New Horizons, impulsionada pelo seu mais recente update, admito que já sentia alguma ‘ressaca’ de uma nova experiência cozy que conseguisse replicar os níveis de conforto e felicidade que o jogo me proporcionou durante o pico da pandemia de COVID-19. Apesar de o update ter trazido esses momentos de dopamina, a sua duração revelou-se curta — com a minha ilha já completamente ao meu gosto e com villagers com os quais criei ligação, restava pouco mais a explorar. E aqui entra Pokopia.
Um jogo simples em conceito, mas grande em execução, especialmente de um estúdio com pouco dentro deste género para mostrar. A sua história, capaz de deixar a pessoa mais fria com lágrima no canto do olho, e o seu modo carinhoso de trazer algo nostálgico de volta à ribalta das nossas vidas tornaram-me numa fã quase imediata.
Passei horas a explorar e criar as melhores zonas para os Pokémon que decidiam aparecer, e consigo prever muitas mais horas passadas cá, a procurar vestígios dos humanos que nos deixaram para trás, esperando que voltem um dia para fazer companhia a quem sente tanta falta deles.





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