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Resident Evil Requiem | Forjando o futuro, regressando ao passado

  • Foto do escritor: Pedro Gomes
    Pedro Gomes
  • 19 de mar.
  • 8 min de leitura
Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

A série Resident Evil é uma das mais reconhecidas mundialmente, tanto por fãs de jogos de terror como adeptos da indústria de videojogos no seu geral, sendo um verdadeiro marco a nível global. Com 30 anos de história, nem toda a sua longevidade foi um mar de rosas, já que a sexta entrada, Resident Evil 6, fez soar alarmes na Capcom com uma experiência muito mal vista perto dos fãs, obrigando a empresa japonesa a reconsiderar os seus próximos passos com atenção redobrada. 

Felizmente, desde então, a série voltou a entrar numa rajada de títulos bem conseguidos, desde o soft reboot em Resident Evil 7 e a sua continuação em Village, até aos remakes dos clássicos RE 2, 3 e 4, que revitalizaram a franquia, trouxeram clássicos a uma nova audiência de forma quase pristina (o remake da aventura de Jill Valentine em 3 foi um pouco desapontante) e criaram grande antecipação por uma nova sequela. 

Numa localização que traz memórias aterradoras a todos nós, Raccoon City, com caras novas como a estreante personagem principal Grace Ashcroft e o regresso do icónico Leon S. Kennedy numa versão mais amadurecida, a mistura entre Survival Horror mais metódico e gameplay de pura ação, que se dividem por ambos os protagonistas, promete trazer um pouco de tudo o que tornou a marca Resident Evil no que é nos dias de hoje. Não é a primeira vez que a Capcom tenta misturar ambos, tendo alcançado resultados mistos até agora, mas será que a lição no passado foi bem aprendida e temos aqui o epítome de 30 anos de legado?


Um novo mistério a dois


Requiem apresenta ao jogador uma aventura da perspetiva de dois protagonistas, algo que não é novidade para a série, mas que inova a maneira como esta se desenrola entre ambos. Ao contrário de criar campanhas diferentes que se intercetam em certos pontos, Grace e Leon partilham o foco entre ambos ao longo de um único enredo que deixa cada um deles brilhar em determinadas secções. 

Grace Ashcroft é a melhor analista do FBI, apesar de ser jovem, e acaba por ser enviada numa missão a solo para desvendar o mistério que já deu azo a 5 fatalidades, sem saber que era tudo um engodo de forma a atraí-la para uma armadilha montada num local traumático da sua vida. Enquanto isso, Leon Kennedy, veterano da série e mestre em lidar com vários tipos de ameaça, executa uma investigação por si só no mesmo local, acabando por se tornar num herói inesperado para a jovem analista.

Esta nona entrada na saga central de Resident Evil traz consigo uma jornada carregada de nostalgia, não fosse a sua segunda metade passada na trágica Raccoon City, e mistérios que vão sendo lentamente desvendados ao jogador, que vão progressivamente fazendo clique conforme ambos os nossos heróis vão avançando na história, sem se esquecendo de oferecer uma história fresca que consegue aguentar-se por si só. Trazendo novas perspetivas a eventos de um passado trágico já longínquo e com uma nova ameaça global que é preparada nas sombras, a nível narrativo, Requiem é uma verdadeira carta de amor à franquia que não se deixa dormir à sombra do seu próprio sucesso e entrega uma trama que me agradou imenso como fã dos jogos, sendo uma verdadeira maravilha de acompanhar. 


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Grace, o lado humano da aventura


Grace, não preparada para os horrores com os quais vai dar de frente, representa o lado mais natural e vulnerável da trama, trazendo consigo reações fortes e de puro pavor perante as atrocidades que defronta, num estilo de jogabilidade mais semelhante aos presentes em Resident Evil 1, 2 e 7. 

Na sua secção principal, decorrida num centro de cuidados onde experiências macabras são executadas nos seus residentes, Grace encontra-se presa nos seus corredores labirínticos e muito mal preparada para trilhar o seu caminho rumo à escapatória, tanto a nível psicológico como em termos de arsenal. Obrigada a recorrer maioritariamente às sombras para se esgueirar por entre entidades pouco amigáveis, a um número limitado de balas e a injeções letais, mas igualmente escassas, a palavra de ordem para sobreviver é a caução. 

Os seus inimigos mais numerosos são os zombies, que estão de volta à série na sua forma visual mais tradicional, mas com a inclusão de uma mecânica genial. Devido a uma mutação do vírus que lhes foi administrado, estes oponentes retiveram parte da sua humanidade e continuam, após o óbito, a realizar as tarefas que outrora lhes competiam na vida. Desde criadas que primam pela limpeza absoluta, rodando por poças de sangue de forma obsessiva para as limpar, carniceiros que continuam a esventrar o próximo prato principal, que com sorte não serás tu, e empregados que, sabendo bem que a EDP não brinca em serviço, certificam-se que as luzes estão apagadas pelos corredores fora, portanto há que ter atenção. Com outras rotinas misturadas e criaturas mais imponentes pelo meio, o processo de aprender as movimentações destes mortos-vivos é fulcral para evitar confrontos desnecessários e efetuar ataques letais que resultam numa eliminação sem atrair atenções indesejadas. 


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

O gameplay de Grace é tenso, imperdoável e exige imensa caução, algo que pode ser intensificado ao escolher o modo de dificuldade clássico, que limita os auto-saves e requer Ink Ribbons para gravar manualmente o jogo, tornando jornadas prolongadas pelo assombroso centro muito mais punitivas em caso de morte. 

Ao contrário de Ethan, que era um protagonista muito mais neutro perante ameaças para as quais não estava pronto, Grace é muito mais real e credível, com animações que o refletem e voice acting exemplar, que, sem dúvida, colocarão Angela Sant'Albano, atriz que dá a sua voz à personagem, no caminho a receber prémios pela sua performance. Apesar de preferir o lado mais repleto de ação da franquia, esta versão de Survival Horror incluída em Requiem é soberba, trazendo inimigos stalkers e os zombies com o twist genial, guardando algumas surpresas nostálgicas para a segunda metade do jogo que irão deixar veteranos em alerta.


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Do lado de Leon, já lá vão 30 anos desde a sua estreia catastrófica como agente de polícia em Raccoon City, coincidindo com o culminar da epidemia de zombies que consumiu a cidade na sua plenitude. Amadurecido e muito mais experienciado no que diz respeito a lidar com vários tipos de ameaças, traz consigo uma boa dose de ação bombástica para contrastar com o resto do jogo. Armado desde logo com uma pistola, um machado para combate de proximidade e a Requiem, um verdadeiro canhão com uma capacidade de desfazer completamente quase tudo o que lhe aparece à frente, esta icónica figura do legado do Resident Evil não está cá para brincar. 


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Nas partes do jogo que protagoniza, não há cá meias medidas, é mesmo para desfazer todas as bioweapons que aparecerem pela frente, com um estilo de combate bem familiar para quem tiver jogado o remake do Resident Evil 4. Ao nosso dispor estão parries para quase todo o tipo de ameaças, ataques corpo a corpo que servem para abrir uma janela de oportunidade de forma a desferir o golpe letal com o nosso machado e um arsenal generoso com as tradicionais pistolas, caçadeiras, snipers e metralhadoras, todas com um fornecimento bem mais generoso de balas. A ação é bem mais caótica e intensa, oferecendo momentos catárticos de carnificina após secções de puro medo e caução, onde me soube mesmo bem libertar as frustrações e abrir caminho com muito mais facilidade.

Mas se pensas que todo este poderio quer dizer que são favas contadas daqui para a frente, é um engano. Para compensar as competências alargadas de Leon, a quantidade e ferocidade das ameaças presentes aumenta exponencialmente, oferecendo um bom nível de desafio mesmo na dificuldade normal, bosses que servem como um bom obstáculo e até uma secção de alta velocidade pelas ruínas de Raccoon City. São poucos os momentos de tédio e de facilitismo por parte dos inimigos nestas secções, que considero geralmente de alto nível... safo alguns pontos menos bons.


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Nem tudo é perfeito e houveram alguns momentos mais frustrantes deste lado da aventura. A zona inicial da cidade destruída inclui um ambiente soberbo e repleto de nostalgia para fãs do jogo, mas o seu design de zona aberta corta a ação de forma abrupta, oferecendo objetivos que obrigam a explorar esta secção, incluindo alguns momentos em que me acabei por perder. Mais à frente na parte do Leon, há também uma inclusão, que felizmente é breve, de soldados inimigos que usam armas de fogo e são completamente imperdoáveis, movimentando-se de forma rápida e disparando uma rajada de balas que me deixava constantemente às portas da morte ou até morto no chão. Com checkpoints que me forçaram sempre a ter que repetir uns 10-15 segundos de jogo até acionar o encontro em questão, estes foram encontros que me causaram bastante frustração e foram dos raros momentos baixos do jogo inteiro. Sempre detestei a inclusão deste tipo de inimigos na franquia e é uma pena ver que estes retornaram para beliscar a experiência mais uma vez.


Os dois lados da série


As duas personagens jogáveis operam de forma distinta, preenchendo ambos os géneros pelos quais a série Resident Evil é conhecida - Action Adventure e Survival Horror. Se a metade protagonizada por Grace é espetacular em todos os sentidos, a de Leon fica um pouco atrás, não deixando de ser muito boa e de emanar montes de qualidade, mas acabei a dar por mim a ter algumas saudades da faceta de horror mais proeminente da primeira parte do jogo. Em termos de jogabilidade e de ambiente no seu geral, o lado mais assustador da aventura é dos melhores que a série tem para oferecer, enquanto que a ação bombástica de Leon, não deixando de ser uma ligeira evolução face ao que se encontra em Resident Evil 4, não tem um elemento tão original como a nova mutação do T-Virus.


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Um produto final de luxo


Requiem entrega, em termos de apresentação, um pacote quase perfeito. Graficamente o jogo está uma verdadeira delícia, com ambientes claustrofóbicos na parte da Grace que beneficiam imenso dos efeitos Raytraced e de uma boa TV ou ecrã para criar vistas sombrias onde os efeitos de luz realmente brilham, de forma literal e figurativa. Enquanto isso, as áreas mais abertas pertencentes a Raccoon City realizam a sensação de uma cidade desolada e abandonada, repletas de texturas de grande qualidade e momentos onde se pode ter noção da grande escala da antiga metrópole, ainda que as zonas disponíveis para percorrer não sejam assim tão abrangentes, oferecendo uma boa ilusão. No modo qualidade oferecido pelo modelo base da PS5, esta é uma excelente experiência, com uma meta de 60 FPS que me parece ser cumprida de forma exemplar, sem grandes sacrifícios em termos qualidade da imagem, se bem que algum shimmering é percetível nas cinemáticas.


Captura feita por XP Couple Reviews.
Captura feita por XP Couple Reviews.

Em termos de áudio, o jogo é magnífico, com efeitos sonoros satisfatório e que criam uma boa sensação de impacto a cada disparo de ambos os protagonistas ou machadada aplicada pelo Leon. Enquanto que o silêncio e os sons a distância criam uma atmosfera tensa, a trilha sonora para momentos mais frenéticos acabou por me desapontar um bocado. Não sendo uma OST fraca, acompanhado a ação devidamente, ficaram a faltar faixas que sejam memoráveis ou me tenham ficado no ouvido, acabando muitas das vezes por ficar "abafadas" debaixo do resto.


Opinião final – Uma tirada quase perfeita do icónico universo


Resident Evil Requiem é uma celebração de 30 anos de uma franquia que teve os seus imensos momentos altos e alguns baixos, oferecendo tudo o que a tornou um dos derradeiros ícones do género de horror e da cultura gaming em si, embrulhado numa experiência repleta de nostalgia e referências à sua longa história. Nas minhas 10 horas até rolar os créditos, senti que o estúdio aprimorou tudo o que tornou esta série no marco que atualmente é, tanto do lado de Survival Horror como o de Ação, entregando uma verdadeira carta de amor aos seus fãs que mal posso esperar por revisitar num futuro bem breve. Era um dos meus jogos mais antecipados deste ano e tenho que admitir que não me desapontou, é um título de luxo que resulta, mais uma vez, na continuação da sequência de sucessos de vendas e de aclamação pela audiência e critica merecidos por parte dos estúdios da Capcom.


Trailer de lançamento


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